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SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS E CENTROS DE INTERPRETAÇÃO, EM PORTUGAL – ALENTEJO E ALGARVE Patrícia Mareco

PISÕES Pontos Fracos Oferta de instalações sanitárias, e infra-estruturas de lazer Precariedade das acessibilidades e transportes Inexistência de Informação Turística em várias línguas Inexistência de Guia Acessos a pessoas de Mobilidade reduzida

♦♦♦ ♦♦ ♦♦♦ ♦♦♦ ♦♦♦

Quadro Avaliativo n.º 31

PISÕES Ameaças Promoção com outras potencialidades de Beja

♦♦♦

Quadro Avaliativo n.º 32

A análise SWOT realizada por nós e o inquérito elaborado pela entidade não possuem grandes diferenças, relativamente às melhorias a efectuar designadamente: 

Recuperação das instalações sanitárias, de modo a adequá-las aos visitantes de mobilidade reduzida;



Recuperação dos acessos secundários ao sítio arqueológico;



Apresentação da informação turística noutras línguas nas placas explicativas.

Devem ser sublinhadas as condições precárias que o Centro de Acolhimento e Interpretação do sítio possui, comparativamente aos restantes visitados.

4.2.7. Ruínas de São Cucufate

ENQUADRAMENTO LOCAL

Este sítio localiza-se no Alentejo interior, no distrito de Beja, nos arredores da Vila da Vidigueira, cerca de 10 km da mesma. De acordo com o material promocional São Cucufate abarca dois períodos históricos, o Romano e o Medieval. A presença romana remonta ao primeiro período e a época Medieval ao último, a qual é testemunhada por toda a estrutura do Mosteiro, em honra de São Cucufate. Actualmente, o conjunto arqueológico encontra-se inserido no programa de valorização do IPPAR, o qual aposta na criação de infra-estruturas necessárias para motivar as visitas aos arqueossítios. Para tal o IPPAR criou em Março de 2006 “um Núcleo Museológico a ser

instalado na Vila de Frades, na denominada Casa do Arco, (...) com vista a valorizar cultural e turísticamente este conjunto.” (www.ippar.pt)

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Outra das intervenções está intimamente relacionada com o projecto de valorização das ruínas, onde se efectuam restauros devidamente identificados no circuito arqueológico, com o intuito de transmitir a imagem máxima e possível de toda a estrutura do edifício histórico. Em termos paisagísticos, São Cucufate encontra-se devidamente enquadrado no seu meio envolvente, sendo fácil a percepção e visualização do sítio.

Figuras n.º s 123 e 124: A envolvente do Sítio Arqueológico de São Cucufate

Figura n.º 125: A envolvente de São Cucufate.

O monumento dispõe de infra-estruturas, designadamente Centro de Acolhimento e Interpretação, que ajudam a interpretar o espaço visitável. Há, no entanto, necessidade de melhorar alguns aspectos, como por exemplo, a locomoção de visitantes com mobilidade reduzida, impossibilitados de percorrer todo o itinerário de visita. O monumento encontra-se inserido num itinerário de cariz histórico cujo objectivo se prende com a divulgação do valor dos Frescos. Esta mesma rota, denominada por Rota do Fresco abarca outros concelhos: Viana do Alentejo, Portel, Cuba e Alvito. Reflecte uma filosofia de parcerias entre concelhos, população local, investimento regional, conjugando Património histórico, religioso, arqueológico e humano.

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OS ACESSOS

Para chegarmos a São Cucufate segue-se, primeiramente, pela IP 2 em direcção à Vidigueira e, depois, pela EN 258 até Vila de Frades. Antes de chegarmos a esta vila é essencial estar atento a uma placa de cor castanha que nos aconselha a virar no sentido do Monte de Guadalupe. Este percurso faz-se por estrada alcatroada, o que raramente sucede nos acessos aos restantes sítios estudados.

Figuras n. º s 126 e 127: Os acessos às Ruínas de São Cucufate.

Ao chegarmos ao sítio encontramos um excelente parque de estacionamento, onde existem lugares, devidamente estipulados, para a autocarros e automóveis ligeiros. A entrada encontrase, igualmente, bem delineada, com uma placa identificativa, bem visível e com todas informações turísticas úteis e necessárias.

Figura n. º 128: Entrada e Parque de Estacionamento do Sítio Arqueológico de São Cucufate

O único aspecto negativo, é o facto do piso não ser adequado para todo o tipo de turista (terra batida e escadas para o acesso a vários pontos de interesse arqueológico e turístico). Já no interior do sítio, à nossa direita existe uma infra-estrutura denominada por Centro de Acolhimento e Interpretação.

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Relativamente, ao percurso interno este encontra-se identificado, possuindo placas explicativas em cada ponto estratégico da visita, que possibilitam vários itinerários, se porventura o turista/visitante não adquirir no Centro de Acolhimento e Interpretação a brochura de São Cucufate.

O CENTRO DE ACOLHIMENTO E INTERPRETAÇÃO

O centro possui uma dimensão adequada e serviços próprios capazes de efectuar um atendimento eficaz e personalizado a qualquer tipo de turista. A estrutura é composta por dois espaços complementares, mas distintos. Na recepção, encontra-se o diverso merchandising, incluindo de outros sítios e o material promocional com toda a informação extra dos mesmos. Verificámos ainda que este Centro de Acolhimento e Interpretação possui lavabos em excelentes condições de acessibilidade para qualquer tipo de turista, nomeadamente paraplégicos. Após termos comprado o ingresso, complementado com o pagamento do leaflet, iniciámos o nosso percurso. A primeira paragem efectuou-se num pequeno edifício que encerra uma exposição permanente, referente à especificidade do sítio. Ao visitarmos a exposição que se encontra no Centro de Interpretação dedicámos especial atenção a vários aspectos, principalmente:

Mensagem Cor

TEXTO

Iluminação Língua NÍVEL DE INFORMAÇÃO SUPORTE UTILIZADO

Texto conciso, claro e objectivo. Preto, sensivelmente carregado. Caracteres facilmente perceptíveis. Razoável. Portuguesa. Crianças, devido a imperar o nível A. Placares com imagens e desenhos do circuito.

Quadro n.º 35: Avaliação da Exposição Permanente do Centro de Acolhimento e Interpretação das Ruínas de São Cucufate.

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Figura n. º 129: O Centro de Acolhimento e Interpretação das Ruínas Romanas de São Cucufate.

Pudemos, igualmente, verificar alguns pontos que deverão ser aperfeiçoados, de forma a ajudar o comum turista/visitante a compreender melhor o sítio. Circunscrevem-se à organização da própria exposição apresentada no Centro Interpretativo: 

a inexistência de texto em línguas estrangeiras;



a pouca diversidade de materiais expositivos, o que torna toda a exposição algo monótona e pouco atractiva.

Figuras n. º s 130 e 131: A exposição permanente do Centro de Acolhimento e Interpretação das Ruínas Romanas de São Cucufate.

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Figura n. º 132: Painel explicativo da exposição permanente do Sítio Arqueológico de São Cucufate

No entanto com esta exposição, o turista é capaz de apreender o que irá observar durante a visita, graças à história narrada e que ilustra a evolução histórica do monumento, enquadrando pormenorizadamente as estruturas arqueológicas. Todavia, consideramos que há um subaproveitamento do espaço disponível.

O CIRCUITO ARQUEOLÓGICO

Relativamente ao percurso sublinhamos que é fácil identificar os dois períodos que prevalecem, ou seja, as duas villae romanas e a primeira Igreja Monástica. De acordo com o itinerário recomendado, por uma questão de coerência cronológica, iniciámos o nosso percurso pela visita ao Templo Romano, ao Tanque e posterior piscina, igualmente do período romano. O segundo ponto de paragem foi junto aos celeiros e adega, posteriormente, reutilizados na construção da Igreja Monástica. Continuamos a visita observando os vestígios da época romana, nomeadamente as villae. De entre os pontos observáveis, alguns são de difícil identificação no terreno, apesar da ajuda de placas explicativas onde constam plantas completas e respectivas definições. Mas, como temos referido, nem sempre as placas, mesmo complementadas com os leaflets, ajudam à leitura imediata do espaço visitado. Salientamos, uma vez mais, a importância não só do guia turístico (que poderá ser requerido no Centro de Acolhimento e Interpretação antes do início da visita), mas também, de uma completa informação do material expositivo. É essencial que um local aberto a turistas/visitantes possua informação completa em diversas línguas, para além da língua materna.

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Figuras n. º s 133 e 134: O percurso exterior das Ruínas Romanas de São Cucufate.

Durante a realização do circuito arqueológico, verificámos que poucos visitantes realizam o percurso conforme o estipulado no leaflet, o que dificulta a interpretação coerente das ruínas. As placas explicativas apresentam-se com a mesma estrutura das anteriores analisadas. A mensagem principal está escrita apenas em português. Este factor minimiza o conhecimento do Património de São Cucufate.

Figura n. º 135: Placa explicativa do Percurso

Em termos do estado do percurso, propriamente dito, podemos afirmar que se encontra devidamente planificado, mas com algumas dificuldades quanto ao seu delineamento no território, conduzindo, por vezes, à confusão na leitura das placas explicativas e nos pontos de interesse, por parte do turista/visitante.

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Figuras n.º s 136 e 137: Planificação do Percurso

INTERVENÇÃO E MUSEALIZAÇÃO

Este sítio foi ocupado pela civilização romana entre os séculos I a. C. e IV d. C., sofrendo alterações na década 360 d. C.. As villae instalaram-se numa área propícia à agricultura nomeadamente à produção de azeite e de vinho, corroborada pela existência de vestígios de lagares e adegas. Com o passar dos anos, mais exactamente na Idade Média, foi erguido um mosteiro consagrado a São Cucufate, onde se conservam pinturas murais.

OS VISITANTES

Em relação à tipologia do público alvo apoiando-nos na experiência e testemunho do recepcionista de São Cucufate, podemos afirmar que os segmentos de mercado mais correspondentes a este tipo de circuito são as crianças, quer inseridas no âmbito das visitas escolares, quer no âmbito das famílias. É de realçar o crescente número de visitantes que visitaram São Cucufate, no ano de 2004, comparativamente aos anos anteriores (2002-2003). Regista-se uma acentuada subida que poderá estar interligada ao acompanhamento personalizado durante a visita (guia) e à crescente aposta nos eventos culturais e na participação activa da população local.

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Número Bruto de Visitantes

Número de Visitantes das Ruínas de São Cucufate

10000 9000 8000 7000 6000 5000 4000 3000 2000 1000 0 2002

2003

2004

Anos Gráfico n.º 18 Fonte: Inquérito apresentado em Anexo.

ANÁLISE SWOT ÀS RUÍNAS DE SÃO CUCUFATE

SÃO CUCUFATE Pontos Fortes Importante conjunto patrimonial Enquadramento territorial Visibilidade territorial Estruturas de Apoio e Acolhimento ao turista/visitante com funcionários profissionais (Parque de Estacionamento próprio) Itinerário delineado (incluindo a sinalização) Existência de guia (se requerer) Oferta de instalações sanitárias, e infra-estruturas de lazer Acessibilidades e transportes Didáctica da exposição permanente

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Quadro Avaliativo n.º 33

SÃO CUCUFATE Oportunidades Espaços livres, públicos e privados, com potencialidades de valorização Promover a recuperação e a valorização do Património histórico e arqueológico Crescimento na complementaridade dos circuitos urbanos e culturais e temáticos Melhoria da sinalética (acessos exteriores ao sítio) Realização de Acções Pedagógicas e Educativas com entidades locais Quadro Avaliativo n.º 34

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SÃO CUCUFATE Pontos Fracos Meios Expositivos Inexistência de Informação Turística em várias línguas Acessos a pessoas de Mobilidade reduzida

♦♦ ♦♦♦ ♦♦♦

Quadro Avaliativo n.º 35

SÃO CUCUFATE Ameaças Inexistência de delineamento do percurso Promoção de outras potencialidades da Vidigueira

♦♦ ♦♦♦

Quadro Avaliativo n.º 36

A gestão do sítio arqueológico tem vindo a combater as fraquezas supramencionadas, tentando melhorar a estratégia promocional e fomentando a parceria com a comunidade local. Exemplo disso, foi a reestruturação da Casa do Arco, em Vila de Frades, que abriu em Março de 2006. Neste edifício estão patentes trabalhos efectuados pela população e visitantes durante actividades de animação realizadas no percurso do sítio arqueológico. Comparativamente ao inquérito, remetido pela entidade da tutela e apresentado em anexo, discordamos apenas da exposição permanente, onde consideramos o espaço pouco aproveitado, transmitindo-se uma mensagem monótona.

4.2.8. Villa Romana de Torre de Palma

ENQUADRAMENTO LOCAL

A Villa Romana de Torre de Palma está situada no Alto Alentejo, concelho de Monforte, distrito de Portalegre. Encontra-se em fase de valorização e de recuperação. Abarca uma vasta área que encerra em si várias cronologias, desde o século I até ao século XIII, que se encontram sobrepostas. Aqui pudemos constatar, uma vez mais, a extrema organização do povo romano, com o objectivo de rentabilizar ao máximo os recursos naturais existentes. Os vestígios de construções agrícolas, como, o celeiro, o lagar, ou os armazéns de instrumentos agrícolas e os estábulos para os animais são exemplificativos dessa política. O sítio arqueológico é “um espaço

organizado e pensado para a vivência rural; sendo bem estruturada para exploração agrícola, era também um local de recolhimento e lazer do proprietário.” (Dias: 2001; 79) Na residência

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